Atenção:
Respeite as pausas conforme pede o roteiro para a visualização da cena e o desenrolar da situação.
Se tiver pressa, não leia. Deixe para uma outra hora.
O autor
A cena abre focalizando o céu azul. Após, desce e ficando na frente de um pequeno salão de beleza.
A mesma se aproxima, entrando pelo vidro mostrando apenas três estações para corte de cabelo.
Trilha: The Noisettes – Dont Upset The Rhythm
Ao fundo, há uma cadeira reclinável e atrás, uma pia para lavar os cabelos das clientes. Ao lado, uma estação de manicure.
Martha estava sentada de um lado, atendendo do outro, uma cliente.
Ao lado da estação de Martha, havia uma porta que levava para dentro do estabelecimento. Ela se abre e um homem aparece com uma mochila em suas costas.
Martha vira o rosto e o vê, cruzando seus olhares.
Martha: Já vai?
Homem: Sim.
Martha, para a cliente: Só um minuto...
A cliente responde positivamente com a cabeça.
Martha levanta e vai à direção da porta de entrada da loja.
O homem a segue.
Ao saírem, Martha fica de frente pra ele.
Martha: Carlos... É confiável?
Carlos: Já conversamos sobre isso...
Martha: Não quero ter que me mudar novamente.
Um celular toca.
Carlos, olhando para Martha, enfia a mão no bolso e tira o aparelho e levando ao seu ouvido.
Carlos: Alô?
Voz masculina: Sou eu... Tá de pé?
Carlos: Sim.
Voz Masculina: To indo pra lá.
Tira o celular do ouvido e o guarda no bolso.
Carlos, encarando Martha: Se preocupe em ser a fornecedora.
Martha: Você volta hoje?
Carlos: Provável.
Ele se vira e segue pela calçada.
Martha, com um olhar decepcionado, o vê distanciar-se. Após, entra no salão.
Carlos andava rapidamente, ora olhava para trás, ora olhava para frente.
Em uma das vezes que olha pra trás, vê um carro parado com uma pessoa dentro. Frisa um pouco os olhos.
(câmera mostra apenas o carro e um vulto dentro)
Um táxi que vinha seguindo na direção em que olhava, desvia sua atenção.
Ele acena, o carro para e ele entra.
Taxista: Para onde senhor?
Carlos: Entre na próxima à direita.
Com o carro entrando em movimento, Carlos se contorce e olha pra trás e não vê ninguém seguindo-o.
Pega o celular no bolso e aperta “return”. Coloca o aparelho no ouvido o olha pra frente.
Homem: Alô?
Carlos: Mudança de planos... Vou mandar o endereço de onde iremos nos encontrar.
Homem: Ok
Desliga a ligação.
Carlos novamente olha pra trás.
Carlos: Faça a volta e vá para o Convento “Madre Di Dio”.
Tela negra
Will abre os olhos.
Frisou-os devido à iluminação forte e esfregou a mão no rosto.
Olhou para o seu lado direito e viu um homem de camiseta regata com algumas manchas de sangue. Segurava seu próprio o braço dobrado com a camisa suja de seu próprio, enrolado em sua mão.
Will sentou-se rapidamente e olhou para o restante do ambiente.
Viu Jully sentada do outro lado do quarto e Lauren deitada com a cabeça em seu colo.
Ao lado em outra parede estava Martha e Jason, sentados um ao lado do outro encostados na parede.
Will retorna o olhar para Robert.
Will: O que aconteceu?
Robert: Você desmaiou.
Will baixou os olhos.
Lauren vendo Will acordado levanta-se do colo de Jully, sentando-se.
Lauren: Você esta bem rapaz?
Will: Acho que sim. – (pausa) – Quanto tempo fiquei desacordado?
Lauren olha para Jully e novamente para Will.
Lauren: Faz um tempo.
Will: E a faca?
Lauren apenas apontou para um canto do quarto. Tudo estava amontoado abaixo de onde a caixa de som embutida se encontrava.
Will olha para Robert
Wil: Como esta sua mão?
Robert, ironicamente: Está ótima, Doutor. Nunca esteve melhor.
Will se desconcerta.
Jason olha para o teto e se levanta.
Vê apenas um alçapão ao lado da luminária.
Jason: Entramos por ali?
Will: Acho que sim. Deve ter uns quatro metros... Mesmo se alguém subir no seu ombro, não daria pra alcançar o teto.
Martha, sentada: E você acha que ele não saberia se a gente tentasse sair?
Lauren: Engraçado... Ele disse que ouve e vê tudo, mas não vejo as câmeras...
Jason: Talvez sejam embutidas.
(silencio)
Jully: Alguém se lembra com veio parar aqui?
Will: A única coisa que me lembro é ter pego minha correspondência.
Jully arregala os olhos.
Jully: Eu também... Eu recebi uma caixinha... Mas não tinha nada dentro.
Lauren, para Jully: Eu... Eu lembro ter saído da sua casa e... - (pausa) – Devo ter levado alguma pancada na cabeça. Sinto um gal...
Will para Lauren: Vocês duas se conhecem?
Lauren: Sim.
Jully afirmou com a cabeça.
Jully: Freqüentei a igreja onde Irmã Lauren trabalhava.
Lauren: Não trabalhava lá. Apenas ajudava com os eventos da igreja.
Will: E como que vocês se conheceram?
Jully: Logo que meu marido faleceu, comecei ir à igreja. Lá, conheci Lauren. Ela me ajudou a enfrentar... – (pausa) -Você sabe...
(silencio)
Will: Mais alguém aqui se conhece?
Todos se entreolharam e sinalizaram negativamente com a cabeça.
(Silencio)
Robert: Eu lembro que era noite. Sai da minha loja e fui pro meu carro... - (pausa) – Depois que entrei... - (pausa) – Não lembro mais...
Will: Lembro que cheguei em casa, coloquei minha pasta no sofá e fui para o banheiro tomar banho. - (pausa) – Quando abri a água, senti um cheiro estranho vindo do ralo...
Jully: Quando abri a caixa, também senti um cheiro. Parece que algo... – (pausa) -...Estourou dentro dela e o cheiro saiu.
Will: Como assim?
Jully: Assim mesmo... Abri e fez um tipo de – (pausa) - ...ploft. – (pausa) – Eu assustei e deixei ela cair no chão. Mas o cheiro invadiu minha sala.
Will: E quem te deu?
Jully: Tocaram a campainha, mas quando fui atender não havia ninguém. Já era noite. Fiquei receosa no primeiro momento porque o correio só passa de dia... Mas tinha um cartão escrito “de um admirador”. Levei pra dentro e abri. - (pausa) – Parecia um porta-jóias...
Will: Jason?
Jason, sentou-se encostando-se à parede.
Jason: Recebi um telefonema de um cara. Queria fazer um programa comigo. Marquei o horário e local, mas... Ele disse que um carro viria me pegar.
Will: Um carro te pegar?
Jason: Sim.
Will: E você não achou estranho isso?
Jason: Não. - (pausa) – Já sai com uns caras de grana. Mandavam carros com motorista e tudo.
Lauren: Você viu o rosto do motorista?
Jason: Eu lembro que quando sai de casa, esse carro estava parado em frente. - (pausa) – Fui até ela, abri a porta e entrei. Depois... - (pausa) – To aqui.
Jully para Martha: E você?
Martha: Lembro ter ido dormir.
(Silencio)
Jully: Só isso?
Martha: Sim... Meu marido não estava. Eu procurava alguma coisa que prestasse na televisão, mas como não tinha nenhum programa bom, desliguei e fui pra cama. - (pausa) – Acordei aqui.
(Silencio)
Will estava sentado à frente de Robert.
Will para Robert: Quer que dê uma olhada em sua mão?
Robert não responde e nem se move. Apenas o encara.
Will: Sou médico e...
Robert, irônico: Já disse que minha mão está bem, Doutor!
Jully: Deve estar mesmo...
Robert a encara.
Jully: Assim como todas suas mulheres...?
Robert: Não sou mais esse tipo de homem.
Jully: E que tipo você seria agora? – (pausa) – Um grande romântico? Um cavalheiro?
Lauren: Parem com isso.
Jully: Parar? Por que? – a encara.
Robert: Você não tem nada a ver com minha vida.
Jully: Eu poderia ter sido uma delas.
Robert sarcástico: Ainda há tempo.
Jully: Seu filho da puta... – (pausa) – O dedo foi pouco. – (pausa) – Ele devia ter enfiado a faca no seu peito, isso sim.
Robert: E por que você esta aqui? – (pausa) -...Hã?
Jully grita: CALA SUA BOCA!
(pausa)
Robert: Você não vai falar? – (pausa) – Mais cedo ou mais tarde todos iremos saber...
Jully não respondeu. Apenas o observava com ódio nos olhos.
Robert sorri ironicamente.
Voz: Esse é um bom momento para sabermos o por quê que você esta aqui não é Jully?
Trilha: Ozar Midrashim 1.1 - Information Society
Todos olham em direção a caixa de som.
Voz: Quer contar... – (pausa) – ou eu conto?
Todos olham para ela.
(silêncio)
Voz: Então?
Jully olhou para o chão.
Voz, intimidando: Jully...
Jully: Eu vendia drogas.
Voz: Vendia não... Não faça referencia ao passado. – (pausa) - Você vende drogas.
(silêncio)
Jully: Logo que meu marido morreu, conheci um cara. – (Olhava para o chão parecendo que procurava alguma coisa) - Começava a passar por dificuldade financeira. Não tinha muito dinheiro. Meu marido ganhava pouco e... – (pausa) -...Raramente conseguíamos guardar algum. – (pausa) – Esse cara... – (pausa) -...Dizia que eu poderia ganhar meu próprio dinheiro. – (pausa) – Disse a ele que nunca trabalhei. – (pausa) – Ele disse que era fácil. Que tinha algo muito rentável. Que a mercadoria dele era apenas para ser distribuída.
Voz: E você aceitou...
Lágrimas começaram a cair de seus olhos.
Jully colocou a mão no rosto.
(silêncio)
Voz: E?
Jully limpou as lágrimas e olhando para o chão, continuou.
Jully: Ele explicou como eu faria. – (pausa) – Achei absurdo mas, ele tirou aquele monte de dinheiro e me ofereceu pagar adiantado. Muito dinheiro. – (pausa) – Fui no local e fiz a distribuição. Com medo, mas fiz. – (pausa) – Não dormi aquela noite. – (pausa) – No dia seguinte, logo pela manhã, ele novamente apareceu com mais dinheiro. Mais que no dia anterior. – (pausa) – Eu topei então continuar. – (pausa) – Era fácil e não tinha com o que me preocupar. – (pausa) – Só aquela semana, ganhei o que meu marido ganhava em quatro meses. – (pausa) – Passou a segunda e terceira semana... Na quarta, todos os garotos estavam viciados.
Lauren: O quê?
Will: Você dava drogas para crianças?
Jully levantou o rosto e viu todos com ar de incriminatório.
(silencio)
Voz, ironicamente:...E depois?
Jully: No segundo mês, ele me arranjou um carrinho de doces. – (pausa) – Ele disse que agora era para eu vender. – (pausa) – Vendia os doces e as drogas. – chorando.
Martha: Seu monstro!
Voz: Monstro ela?
Martha, que estava sentada, apenas levantou o rosto em direção a caixa de som, ficando Jully entre eles.
Voz: Não tem nada para nos contar Martha?
Martha tirou os olhos da caixa de som e observou todos a olhando.
(silencio)
Voz: Você...
Martha interrompe: Eu já traí meu marido com vários homens... – olhando para todos.
A Voz gargalha.
Martha se desespera.
Martha: Era isso mesmo que eu fazia. – (pausa) – Transei com vários homens enquanto meu marido...
Voz: Marido?
Interrompe.
Voz: Que marido? – (pausa) – Você não tem marido Martha... – (pausa) – Apenas sustenta alguém que faz o seu trabalho sujo.
Martha, ficando em pé: O QUE VOCÊ QUER?
Voz: O que eu quero? – (pausa) – Você não sabe?
Martha em voz baixa: Não...
O volume aumenta.
Voz: EU QUERO VINGANÇA – ÇA – ça...
Todos colocam a mão no ouvido.
(Silêncio)
Jully abaixa as mãos do ouvido e olha pra caixa de som.
Jully: Que tipo de vingança você quer? – (pausa) – Estamos aqui e não sabemos o porquê desse jogo... – (pausa) – Quem é você na verdade?
Voz: Vocês conseguiram destruir a vida de muita gente... – (pausa) – Inclusive a minha...
Jully balançou a cabeça negativamente.
Will: O que eu fiz? – (pausa) – O que eu fiz pra ter que estar aqui?
Jason: Eu também não fiz nada.
Martha, chorando: Você é um louco...
Voz: Fizeram sim...
Martha: Eu não fiz nada...
Voz: Você fez Marta.
Martha: E o que eu fiz?
(Silêncio)
Martha, chorando: Eu quero ir embora...
Voz: Quer? – (pausa) – Mesmo? Então eu vou facilitar para você... – (pausa) – Escolha uma pessoa Martha...
Martha balançou a cabeça negativamente.
Martha: Não... – chorando.
Voz: Então eu escolho você...
Martha: NÃOOOOOOOO... – caindo de joelhos.
Voz: Já estou sem paciência, Martha... Escolha alguma pessoa ou vou te matar agora...
Martha: Nãooooooo... Não quero...
Voz: Como não quer? – (pausa) – Você não tem o que querer... – (pausa) – Escolha ou morre.
Martha soluçava de chorar.
Voz: Quem você quer? – (pausa) – Temos um médico, um michê, um crápula, uma freira...
Martha balançava a cabeça negativamente.
Voz: ESCOLHA – A – a... – (Volume normal) – Ou eu escolho você... Simples.
(Silêncio)
Martha parou de balançar a cabeça e, olhando para o chão, apenas apontou em uma direção.
Jully: NÃOOOOOOOOO...
Voz, alegre: Jullyyyy...
Jully: POR QUE EU? – olhando para Martha.
O volume volta a ficar muito alto.
Voz: Quieta Jully.
Jully: Eu vou te matar sua puta.
Martha chorando, agora olhava para Jully.
Jully começava a chorar.
Voz: Jully...
Jully se vira e olha para a caixa de som.
Voz: Por que não pergunta pra Martha o nome do cara que ela vivia?
Jully volta a olhar para Martha.
Martha: O quê?
A voz dá uma longa gargalhada.
Todos na sala olhavam para Jully e Martha quase ao mesmo tempo.
Voz: Carlos significa alguma coisa pra você Martha?
Martha parou de chorar na hora. Ficou instantaneamente boquiaberta.
(Silencio)
Voz: E pra você Jully?
Jully olhava Martha com ódio nos olhos.
Jully grita: POR QUE VOCÊ MANDOU ELE PRA MIM... – (PAUSA) –O QUE EU TE FIZ?
Martha: Não...
A Voz volta a gargalhar.
Jully: POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
Martha: EU NÃO FIZ NADA...
Jully balançou a cabeça.
Martha: EU NÃO ESCOLH...
Jully: EU VOU TE MATAR!
Jully pula em cima de Martha, fazendo-a cair pra trás.
Martha agarra o corpo de Jully, tentando rolar para um dos lados para que saia de cima dela.
Will e Jason se levantam para separá-las.
Lauren se levanta, mas não sai do lugar.
Robert apenas assiste.
Voz: Deixem-nas.
Will e Jason param.
Jully estava em cima de Martha e esbofeteava seu rosto.
Martha, embaixo, socava a cintura de Jully.
Lauren: PAREM...
Martha: SAIA DE CIMA DE MIM...
Jully: SUA VACA... PUTA... VOCÊ NÃO PRESTA... – batendo na cabeça de Martha.
Martha consegue fazer o corpo de Jully ir para seu lado direito, caindo no chão e desvencilhando-se de seus socos.
Rapidamente ela rola para o outro lado e se levanta, indo para o canto que as armas se encontravam.
Jully se levanta seguindo-a, tendo Martha uma pequena vantagem.
Martha, á frente, se agacha e pega a faca ainda suja e se vira em direção a Jully.
Jully para bruscamente na frente de Martha.
Todos correm para o outro lado.
Will: PAREM VOC...
Jully: VAI... ME MATA...
Martha não responde, apenas a encara apontando a faca.
Jully: POR QUE VOCÊ MANDOU ELE?
Lauren: MARTHA, LARGA ESSA FACA...!
Martha: EU NÃO MANDEI NINGUÉM...
Jully: MANDOU SIM...
Lauren: PARE JULLY...!
Martha: NÃO MANDEI... – (pausa) – EU APENAS DAVA AS DROGAS PRA ELE... – (pausa) – ELE QUE ENCONTRAVA AS VÍTIMAS...
Will: LARGA A FAC...
Jully: MENTIROSA...!
Jully estende o braço rapidamente em direção onde Martha segurava a faca.
Martha desvia seu braço, mas a ponta da faca raspa no punho de Jully, abrindo um corte.
Jully automaticamente dobra o braço no peito, protegendo com seu outro.
Ambas não se movem de onde estão.
Voz, eufórica: Mata ela!
Martha não tirava os olhos de Jully.
E Jully, o mesmo.
Voz: Acaba com ela, Martha. Essa é a sua chance.
Will: Não Martha!
Voz: Cale-se Will... – (pausa) – Vamos Martha... Não seja novamente a covarde que foi no passado.
Ninguém se movia.
Ambas não desviavam os olhos.
(Silêncio)
Martha: Não quero que ela morra...
Jully frisou os olhos para Martha.
Martha olhou fixamente para Jully.
Martha: Quero que ela faça um sacrifício.
(Silêncio)
Voz: Mas e se ela te matar?
Jully nada fala.
Martha: Eu não sou uma assassina. – (pausa) – Apenas me defendo.
(Silêncio)
Voz: Você é uma assassina, Martha.
(Silêncio)
Todos estavam imóveis.
Martha estava bem próxima à parede.
Jully estava a sua frente e todos, ao fundo.
Voz: Então será um sacrifício, Jully.
Jully levantou os olhos em direção a caixa de som.
Seu olhar agora era de medo.
Voz: Jully... – (pausa) – como Robert perdeu um dedo... – (pausa) – Ficaria sem graça você perder um também... - e ri.
(Silencio)
A voz solta uma gargalhada.
Todos olham para a caixa de som, menos Martha, que observa Jully.
Voz: Sabe o que é engraçado? – (pausa) – Você vai aprender duas coisas de agora em diante.
Jully olhava a caixa de som sem piscar.
Voz: Lembra que você era preconceituosa em relação ao Robert? – (pausa) – Lembra da herança que ele deixou para a esposa? – (pausa) – Agora ela também é sua...
Lentamente, Jully vai baixando os olhos para o corte.
Após, olhou para a faca e depois para Robert.
Robert estava no canto do quarto junto com os outros. Ele a encarava sério assim como todos.
Corta.
A cena aparece esfumaçada mostrando Will segurando a faca levantada em direção ao dedo de Robert.
A faca desce decepando o dedo que, instantaneamente, faz Robert fechar a mão e puxar o braço, dobrando abaixo de si em seu peito.
O dedo pula batendo no rosto de Will, que estava de joelhos e apoiado em sua outra mão.
Lauren vai em direção a Robert.
Jason e Jully, em direção a Will.
Como a faca estava próxima à mão de Will, Jully a pega e coloca junto com a seringa e o revolver, empurrando para o canto do quarto.
Corta
A cena volta para o Rosto de Jully, boquiaberta.
Voz: Jully – (pausa) – não se preocupe... – (pausa) – Isso é o menor de seu problema agora.
Mas de hoje em diante... – (pausa) – Você também será H.I.V. positivo.
Jully volta o olhar para a caixa de som.
Voz: A segunda coisa que você vai aprender Jully... – (pausa) –... É como enxergar...
(Silêncio)
Voz: Martha... – (pausa) – Você escolheu o sacrifício para Jully... Então “você” vai me dar um olho dela.
Trilha: Jason Graves – The Oracle
Martha, com a faca na mão: O quê...?
Jully: NÃOOOOOOOO...
Robert: ISSO É LOUCURA...
Jason: NÃO MARTHA.
Jully grita, chorando.
O volume da caixa aumenta.
Voz: CALADOS – OS – os...
Robert: SEU FILHO DA P...
Os quatro ao fundo caem no chão, recebendo o choque, que para segundos após.
Jully: NÃO, POR FAVOR... NÃOOOOOOO....
Martha olhava para Jully, ainda com a faca apontada para ela.
Voz: Simples não.
Martha: Eu não posso...
Voz: Você escolheu Martha.
Martha: EU NÃO POSSO...
O volume aumenta.
Voz: VOCÊ PODE... – (pausa) – Ou você morre...
Martha: Eu não posso – abaixando a faca.
Voz: Faça...
Jully: NÃOOOOOOOOOO...
Martha: Não...
Voz, ríspida: Faça Martha!
Martha solta a faca, que cai no chão.
Martha: NÃO POSSO... – e olha pra caixa de som.
Voz: Faça ou eu te mato.
Martha: EU NÃO POSSO FAZER ISSO...
(Silêncio)
Cena
Corta
Close lento
A câmera focaliza Robert, Lauren, Jason e Will tentando se levantar do chão.
Corta
Close lento
A câmera mostra Jully com a cabeça baixa olhando para Martha, chorando e ainda segurando seu braço sangrando.
Corta
Close lento
A câmera focaliza a faca suja de sangue, caída no chão.
Corta
Close lento
A câmera focaliza a face de Martha olhando em direção de Jully, chorando.
Corta
Close lento
A câmera focaliza diagonalmente a parede suja e caixa de som embutida nela
Voz: Então...
Jully olhava Martha, que olhava o aparelho na parede.
Voz: Morra você.
Martha leva o choque e cai no chão se debatendo.
Jully grita.
Todos gritam pedindo para parar.
Cena
Martha treme.
Sua pele se contrai para dentro de seu corpo.
Suas veias realçam e ficam querendo sair pela pele.
Jully: PARE COM ISSO...
Os olhos de Martha abrem-se totalmente.
De sua boca, começa a sair som de tentativa de grito.
Na calça jeans, sua virilha começa a ficar molhada.
Começa a formar uma poça de urina no chão.
Seus lábios começam a ficar roxo.
Jully: NNNNNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO... PARE... PARA COM ISSO...
Do outro lado do quarto, todos levam um novo choque derrubando-os no chão novamente e fazendo ficarem quietos.
No esmalte das unhas de Martha, levantam bolhas.
Fumaça começa a sair de seu corpo.
Martha começa a exalar queimado.
Close rapido
Jully, levanta o rosto em direção a caixa de som.
Jully: NNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOO...
Tela negra
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maio 19, 2009
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