Atenção:
Respeite as pausas conforme pede o roteiro para a visualização da cena e o desenrolar da situação.
Se tiver pressa, não leia. Deixe para uma outra hora.
O autor
A cena abre focalizando o céu azul. Após, desce e ficando na frente de um pequeno salão de beleza.
A mesma se aproxima, entrando pelo vidro mostrando apenas três estações para corte de cabelo.
Trilha: The Noisettes – Dont Upset The Rhythm
Ao fundo, há uma cadeira reclinável e atrás, uma pia para lavar os cabelos das clientes. Ao lado, uma estação de manicure.
Martha estava sentada de um lado, atendendo do outro, uma cliente.
Ao lado da estação de Martha, havia uma porta que levava para dentro do estabelecimento. Ela se abre e um homem aparece com uma mochila em suas costas.
Martha vira o rosto e o vê, cruzando seus olhares.
Martha: Já vai?
Homem: Sim.
Martha, para a cliente: Só um minuto...
A cliente responde positivamente com a cabeça.
Martha levanta e vai à direção da porta de entrada da loja.
O homem a segue.
Ao saírem, Martha fica de frente pra ele.
Martha: Carlos... É confiável?
Carlos: Já conversamos sobre isso...
Martha: Não quero ter que me mudar novamente.
Um celular toca.
Carlos, olhando para Martha, enfia a mão no bolso e tira o aparelho e levando ao seu ouvido.
Carlos: Alô?
Voz masculina: Sou eu... Tá de pé?
Carlos: Sim.
Voz Masculina: To indo pra lá.
Tira o celular do ouvido e o guarda no bolso.
Carlos, encarando Martha: Se preocupe em ser a fornecedora.
Martha: Você volta hoje?
Carlos: Provável.
Ele se vira e segue pela calçada.
Martha, com um olhar decepcionado, o vê distanciar-se. Após, entra no salão.
Carlos andava rapidamente, ora olhava para trás, ora olhava para frente.
Em uma das vezes que olha pra trás, vê um carro parado com uma pessoa dentro. Frisa um pouco os olhos.
(câmera mostra apenas o carro e um vulto dentro)
Um táxi que vinha seguindo na direção em que olhava, desvia sua atenção.
Ele acena, o carro para e ele entra.
Taxista: Para onde senhor?
Carlos: Entre na próxima à direita.
Com o carro entrando em movimento, Carlos se contorce e olha pra trás e não vê ninguém seguindo-o.
Pega o celular no bolso e aperta “return”. Coloca o aparelho no ouvido o olha pra frente.
Homem: Alô?
Carlos: Mudança de planos... Vou mandar o endereço de onde iremos nos encontrar.
Homem: Ok
Desliga a ligação.
Carlos novamente olha pra trás.
Carlos: Faça a volta e vá para o Convento “Madre Di Dio”.
Tela negra
Will abre os olhos.
Frisou-os devido à iluminação forte e esfregou a mão no rosto.
Olhou para o seu lado direito e viu um homem de camiseta regata com algumas manchas de sangue. Segurava seu próprio o braço dobrado com a camisa suja de seu próprio, enrolado em sua mão.
Will sentou-se rapidamente e olhou para o restante do ambiente.
Viu Jully sentada do outro lado do quarto e Lauren deitada com a cabeça em seu colo.
Ao lado em outra parede estava Martha e Jason, sentados um ao lado do outro encostados na parede.
Will retorna o olhar para Robert.
Will: O que aconteceu?
Robert: Você desmaiou.
Will baixou os olhos.
Lauren vendo Will acordado levanta-se do colo de Jully, sentando-se.
Lauren: Você esta bem rapaz?
Will: Acho que sim. – (pausa) – Quanto tempo fiquei desacordado?
Lauren olha para Jully e novamente para Will.
Lauren: Faz um tempo.
Will: E a faca?
Lauren apenas apontou para um canto do quarto. Tudo estava amontoado abaixo de onde a caixa de som embutida se encontrava.
Will olha para Robert
Wil: Como esta sua mão?
Robert, ironicamente: Está ótima, Doutor. Nunca esteve melhor.
Will se desconcerta.
Jason olha para o teto e se levanta.
Vê apenas um alçapão ao lado da luminária.
Jason: Entramos por ali?
Will: Acho que sim. Deve ter uns quatro metros... Mesmo se alguém subir no seu ombro, não daria pra alcançar o teto.
Martha, sentada: E você acha que ele não saberia se a gente tentasse sair?
Lauren: Engraçado... Ele disse que ouve e vê tudo, mas não vejo as câmeras...
Jason: Talvez sejam embutidas.
(silencio)
Jully: Alguém se lembra com veio parar aqui?
Will: A única coisa que me lembro é ter pego minha correspondência.
Jully arregala os olhos.
Jully: Eu também... Eu recebi uma caixinha... Mas não tinha nada dentro.
Lauren, para Jully: Eu... Eu lembro ter saído da sua casa e... - (pausa) – Devo ter levado alguma pancada na cabeça. Sinto um gal...
Will para Lauren: Vocês duas se conhecem?
Lauren: Sim.
Jully afirmou com a cabeça.
Jully: Freqüentei a igreja onde Irmã Lauren trabalhava.
Lauren: Não trabalhava lá. Apenas ajudava com os eventos da igreja.
Will: E como que vocês se conheceram?
Jully: Logo que meu marido faleceu, comecei ir à igreja. Lá, conheci Lauren. Ela me ajudou a enfrentar... – (pausa) -Você sabe...
(silencio)
Will: Mais alguém aqui se conhece?
Todos se entreolharam e sinalizaram negativamente com a cabeça.
(Silencio)
Robert: Eu lembro que era noite. Sai da minha loja e fui pro meu carro... - (pausa) – Depois que entrei... - (pausa) – Não lembro mais...
Will: Lembro que cheguei em casa, coloquei minha pasta no sofá e fui para o banheiro tomar banho. - (pausa) – Quando abri a água, senti um cheiro estranho vindo do ralo...
Jully: Quando abri a caixa, também senti um cheiro. Parece que algo... – (pausa) -...Estourou dentro dela e o cheiro saiu.
Will: Como assim?
Jully: Assim mesmo... Abri e fez um tipo de – (pausa) - ...ploft. – (pausa) – Eu assustei e deixei ela cair no chão. Mas o cheiro invadiu minha sala.
Will: E quem te deu?
Jully: Tocaram a campainha, mas quando fui atender não havia ninguém. Já era noite. Fiquei receosa no primeiro momento porque o correio só passa de dia... Mas tinha um cartão escrito “de um admirador”. Levei pra dentro e abri. - (pausa) – Parecia um porta-jóias...
Will: Jason?
Jason, sentou-se encostando-se à parede.
Jason: Recebi um telefonema de um cara. Queria fazer um programa comigo. Marquei o horário e local, mas... Ele disse que um carro viria me pegar.
Will: Um carro te pegar?
Jason: Sim.
Will: E você não achou estranho isso?
Jason: Não. - (pausa) – Já sai com uns caras de grana. Mandavam carros com motorista e tudo.
Lauren: Você viu o rosto do motorista?
Jason: Eu lembro que quando sai de casa, esse carro estava parado em frente. - (pausa) – Fui até ela, abri a porta e entrei. Depois... - (pausa) – To aqui.
Jully para Martha: E você?
Martha: Lembro ter ido dormir.
(Silencio)
Jully: Só isso?
Martha: Sim... Meu marido não estava. Eu procurava alguma coisa que prestasse na televisão, mas como não tinha nenhum programa bom, desliguei e fui pra cama. - (pausa) – Acordei aqui.
(Silencio)
Will estava sentado à frente de Robert.
Will para Robert: Quer que dê uma olhada em sua mão?
Robert não responde e nem se move. Apenas o encara.
Will: Sou médico e...
Robert, irônico: Já disse que minha mão está bem, Doutor!
Jully: Deve estar mesmo...
Robert a encara.
Jully: Assim como todas suas mulheres...?
Robert: Não sou mais esse tipo de homem.
Jully: E que tipo você seria agora? – (pausa) – Um grande romântico? Um cavalheiro?
Lauren: Parem com isso.
Jully: Parar? Por que? – a encara.
Robert: Você não tem nada a ver com minha vida.
Jully: Eu poderia ter sido uma delas.
Robert sarcástico: Ainda há tempo.
Jully: Seu filho da puta... – (pausa) – O dedo foi pouco. – (pausa) – Ele devia ter enfiado a faca no seu peito, isso sim.
Robert: E por que você esta aqui? – (pausa) -...Hã?
Jully grita: CALA SUA BOCA!
(pausa)
Robert: Você não vai falar? – (pausa) – Mais cedo ou mais tarde todos iremos saber...
Jully não respondeu. Apenas o observava com ódio nos olhos.
Robert sorri ironicamente.
Voz: Esse é um bom momento para sabermos o por quê que você esta aqui não é Jully?
Trilha: Ozar Midrashim 1.1 - Information Society
Todos olham em direção a caixa de som.
Voz: Quer contar... – (pausa) – ou eu conto?
Todos olham para ela.
(silêncio)
Voz: Então?
Jully olhou para o chão.
Voz, intimidando: Jully...
Jully: Eu vendia drogas.
Voz: Vendia não... Não faça referencia ao passado. – (pausa) - Você vende drogas.
(silêncio)
Jully: Logo que meu marido morreu, conheci um cara. – (Olhava para o chão parecendo que procurava alguma coisa) - Começava a passar por dificuldade financeira. Não tinha muito dinheiro. Meu marido ganhava pouco e... – (pausa) -...Raramente conseguíamos guardar algum. – (pausa) – Esse cara... – (pausa) -...Dizia que eu poderia ganhar meu próprio dinheiro. – (pausa) – Disse a ele que nunca trabalhei. – (pausa) – Ele disse que era fácil. Que tinha algo muito rentável. Que a mercadoria dele era apenas para ser distribuída.
Voz: E você aceitou...
Lágrimas começaram a cair de seus olhos.
Jully colocou a mão no rosto.
(silêncio)
Voz: E?
Jully limpou as lágrimas e olhando para o chão, continuou.
Jully: Ele explicou como eu faria. – (pausa) – Achei absurdo mas, ele tirou aquele monte de dinheiro e me ofereceu pagar adiantado. Muito dinheiro. – (pausa) – Fui no local e fiz a distribuição. Com medo, mas fiz. – (pausa) – Não dormi aquela noite. – (pausa) – No dia seguinte, logo pela manhã, ele novamente apareceu com mais dinheiro. Mais que no dia anterior. – (pausa) – Eu topei então continuar. – (pausa) – Era fácil e não tinha com o que me preocupar. – (pausa) – Só aquela semana, ganhei o que meu marido ganhava em quatro meses. – (pausa) – Passou a segunda e terceira semana... Na quarta, todos os garotos estavam viciados.
Lauren: O quê?
Will: Você dava drogas para crianças?
Jully levantou o rosto e viu todos com ar de incriminatório.
(silencio)
Voz, ironicamente:...E depois?
Jully: No segundo mês, ele me arranjou um carrinho de doces. – (pausa) – Ele disse que agora era para eu vender. – (pausa) – Vendia os doces e as drogas. – chorando.
Martha: Seu monstro!
Voz: Monstro ela?
Martha, que estava sentada, apenas levantou o rosto em direção a caixa de som, ficando Jully entre eles.
Voz: Não tem nada para nos contar Martha?
Martha tirou os olhos da caixa de som e observou todos a olhando.
(silencio)
Voz: Você...
Martha interrompe: Eu já traí meu marido com vários homens... – olhando para todos.
A Voz gargalha.
Martha se desespera.
Martha: Era isso mesmo que eu fazia. – (pausa) – Transei com vários homens enquanto meu marido...
Voz: Marido?
Interrompe.
Voz: Que marido? – (pausa) – Você não tem marido Martha... – (pausa) – Apenas sustenta alguém que faz o seu trabalho sujo.
Martha, ficando em pé: O QUE VOCÊ QUER?
Voz: O que eu quero? – (pausa) – Você não sabe?
Martha em voz baixa: Não...
O volume aumenta.
Voz: EU QUERO VINGANÇA – ÇA – ça...
Todos colocam a mão no ouvido.
(Silêncio)
Jully abaixa as mãos do ouvido e olha pra caixa de som.
Jully: Que tipo de vingança você quer? – (pausa) – Estamos aqui e não sabemos o porquê desse jogo... – (pausa) – Quem é você na verdade?
Voz: Vocês conseguiram destruir a vida de muita gente... – (pausa) – Inclusive a minha...
Jully balançou a cabeça negativamente.
Will: O que eu fiz? – (pausa) – O que eu fiz pra ter que estar aqui?
Jason: Eu também não fiz nada.
Martha, chorando: Você é um louco...
Voz: Fizeram sim...
Martha: Eu não fiz nada...
Voz: Você fez Marta.
Martha: E o que eu fiz?
(Silêncio)
Martha, chorando: Eu quero ir embora...
Voz: Quer? – (pausa) – Mesmo? Então eu vou facilitar para você... – (pausa) – Escolha uma pessoa Martha...
Martha balançou a cabeça negativamente.
Martha: Não... – chorando.
Voz: Então eu escolho você...
Martha: NÃOOOOOOOO... – caindo de joelhos.
Voz: Já estou sem paciência, Martha... Escolha alguma pessoa ou vou te matar agora...
Martha: Nãooooooo... Não quero...
Voz: Como não quer? – (pausa) – Você não tem o que querer... – (pausa) – Escolha ou morre.
Martha soluçava de chorar.
Voz: Quem você quer? – (pausa) – Temos um médico, um michê, um crápula, uma freira...
Martha balançava a cabeça negativamente.
Voz: ESCOLHA – A – a... – (Volume normal) – Ou eu escolho você... Simples.
(Silêncio)
Martha parou de balançar a cabeça e, olhando para o chão, apenas apontou em uma direção.
Jully: NÃOOOOOOOOO...
Voz, alegre: Jullyyyy...
Jully: POR QUE EU? – olhando para Martha.
O volume volta a ficar muito alto.
Voz: Quieta Jully.
Jully: Eu vou te matar sua puta.
Martha chorando, agora olhava para Jully.
Jully começava a chorar.
Voz: Jully...
Jully se vira e olha para a caixa de som.
Voz: Por que não pergunta pra Martha o nome do cara que ela vivia?
Jully volta a olhar para Martha.
Martha: O quê?
A voz dá uma longa gargalhada.
Todos na sala olhavam para Jully e Martha quase ao mesmo tempo.
Voz: Carlos significa alguma coisa pra você Martha?
Martha parou de chorar na hora. Ficou instantaneamente boquiaberta.
(Silencio)
Voz: E pra você Jully?
Jully olhava Martha com ódio nos olhos.
Jully grita: POR QUE VOCÊ MANDOU ELE PRA MIM... – (PAUSA) –O QUE EU TE FIZ?
Martha: Não...
A Voz volta a gargalhar.
Jully: POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
Martha: EU NÃO FIZ NADA...
Jully balançou a cabeça.
Martha: EU NÃO ESCOLH...
Jully: EU VOU TE MATAR!
Jully pula em cima de Martha, fazendo-a cair pra trás.
Martha agarra o corpo de Jully, tentando rolar para um dos lados para que saia de cima dela.
Will e Jason se levantam para separá-las.
Lauren se levanta, mas não sai do lugar.
Robert apenas assiste.
Voz: Deixem-nas.
Will e Jason param.
Jully estava em cima de Martha e esbofeteava seu rosto.
Martha, embaixo, socava a cintura de Jully.
Lauren: PAREM...
Martha: SAIA DE CIMA DE MIM...
Jully: SUA VACA... PUTA... VOCÊ NÃO PRESTA... – batendo na cabeça de Martha.
Martha consegue fazer o corpo de Jully ir para seu lado direito, caindo no chão e desvencilhando-se de seus socos.
Rapidamente ela rola para o outro lado e se levanta, indo para o canto que as armas se encontravam.
Jully se levanta seguindo-a, tendo Martha uma pequena vantagem.
Martha, á frente, se agacha e pega a faca ainda suja e se vira em direção a Jully.
Jully para bruscamente na frente de Martha.
Todos correm para o outro lado.
Will: PAREM VOC...
Jully: VAI... ME MATA...
Martha não responde, apenas a encara apontando a faca.
Jully: POR QUE VOCÊ MANDOU ELE?
Lauren: MARTHA, LARGA ESSA FACA...!
Martha: EU NÃO MANDEI NINGUÉM...
Jully: MANDOU SIM...
Lauren: PARE JULLY...!
Martha: NÃO MANDEI... – (pausa) – EU APENAS DAVA AS DROGAS PRA ELE... – (pausa) – ELE QUE ENCONTRAVA AS VÍTIMAS...
Will: LARGA A FAC...
Jully: MENTIROSA...!
Jully estende o braço rapidamente em direção onde Martha segurava a faca.
Martha desvia seu braço, mas a ponta da faca raspa no punho de Jully, abrindo um corte.
Jully automaticamente dobra o braço no peito, protegendo com seu outro.
Ambas não se movem de onde estão.
Voz, eufórica: Mata ela!
Martha não tirava os olhos de Jully.
E Jully, o mesmo.
Voz: Acaba com ela, Martha. Essa é a sua chance.
Will: Não Martha!
Voz: Cale-se Will... – (pausa) – Vamos Martha... Não seja novamente a covarde que foi no passado.
Ninguém se movia.
Ambas não desviavam os olhos.
(Silêncio)
Martha: Não quero que ela morra...
Jully frisou os olhos para Martha.
Martha olhou fixamente para Jully.
Martha: Quero que ela faça um sacrifício.
(Silêncio)
Voz: Mas e se ela te matar?
Jully nada fala.
Martha: Eu não sou uma assassina. – (pausa) – Apenas me defendo.
(Silêncio)
Voz: Você é uma assassina, Martha.
(Silêncio)
Todos estavam imóveis.
Martha estava bem próxima à parede.
Jully estava a sua frente e todos, ao fundo.
Voz: Então será um sacrifício, Jully.
Jully levantou os olhos em direção a caixa de som.
Seu olhar agora era de medo.
Voz: Jully... – (pausa) – como Robert perdeu um dedo... – (pausa) – Ficaria sem graça você perder um também... - e ri.
(Silencio)
A voz solta uma gargalhada.
Todos olham para a caixa de som, menos Martha, que observa Jully.
Voz: Sabe o que é engraçado? – (pausa) – Você vai aprender duas coisas de agora em diante.
Jully olhava a caixa de som sem piscar.
Voz: Lembra que você era preconceituosa em relação ao Robert? – (pausa) – Lembra da herança que ele deixou para a esposa? – (pausa) – Agora ela também é sua...
Lentamente, Jully vai baixando os olhos para o corte.
Após, olhou para a faca e depois para Robert.
Robert estava no canto do quarto junto com os outros. Ele a encarava sério assim como todos.
Corta.
A cena aparece esfumaçada mostrando Will segurando a faca levantada em direção ao dedo de Robert.
A faca desce decepando o dedo que, instantaneamente, faz Robert fechar a mão e puxar o braço, dobrando abaixo de si em seu peito.
O dedo pula batendo no rosto de Will, que estava de joelhos e apoiado em sua outra mão.
Lauren vai em direção a Robert.
Jason e Jully, em direção a Will.
Como a faca estava próxima à mão de Will, Jully a pega e coloca junto com a seringa e o revolver, empurrando para o canto do quarto.
Corta
A cena volta para o Rosto de Jully, boquiaberta.
Voz: Jully – (pausa) – não se preocupe... – (pausa) – Isso é o menor de seu problema agora.
Mas de hoje em diante... – (pausa) – Você também será H.I.V. positivo.
Jully volta o olhar para a caixa de som.
Voz: A segunda coisa que você vai aprender Jully... – (pausa) –... É como enxergar...
(Silêncio)
Voz: Martha... – (pausa) – Você escolheu o sacrifício para Jully... Então “você” vai me dar um olho dela.
Trilha: Jason Graves – The Oracle
Martha, com a faca na mão: O quê...?
Jully: NÃOOOOOOOO...
Robert: ISSO É LOUCURA...
Jason: NÃO MARTHA.
Jully grita, chorando.
O volume da caixa aumenta.
Voz: CALADOS – OS – os...
Robert: SEU FILHO DA P...
Os quatro ao fundo caem no chão, recebendo o choque, que para segundos após.
Jully: NÃO, POR FAVOR... NÃOOOOOOO....
Martha olhava para Jully, ainda com a faca apontada para ela.
Voz: Simples não.
Martha: Eu não posso...
Voz: Você escolheu Martha.
Martha: EU NÃO POSSO...
O volume aumenta.
Voz: VOCÊ PODE... – (pausa) – Ou você morre...
Martha: Eu não posso – abaixando a faca.
Voz: Faça...
Jully: NÃOOOOOOOOOO...
Martha: Não...
Voz, ríspida: Faça Martha!
Martha solta a faca, que cai no chão.
Martha: NÃO POSSO... – e olha pra caixa de som.
Voz: Faça ou eu te mato.
Martha: EU NÃO POSSO FAZER ISSO...
(Silêncio)
Cena
Corta
Close lento
A câmera focaliza Robert, Lauren, Jason e Will tentando se levantar do chão.
Corta
Close lento
A câmera mostra Jully com a cabeça baixa olhando para Martha, chorando e ainda segurando seu braço sangrando.
Corta
Close lento
A câmera focaliza a faca suja de sangue, caída no chão.
Corta
Close lento
A câmera focaliza a face de Martha olhando em direção de Jully, chorando.
Corta
Close lento
A câmera focaliza diagonalmente a parede suja e caixa de som embutida nela
Voz: Então...
Jully olhava Martha, que olhava o aparelho na parede.
Voz: Morra você.
Martha leva o choque e cai no chão se debatendo.
Jully grita.
Todos gritam pedindo para parar.
Cena
Martha treme.
Sua pele se contrai para dentro de seu corpo.
Suas veias realçam e ficam querendo sair pela pele.
Jully: PARE COM ISSO...
Os olhos de Martha abrem-se totalmente.
De sua boca, começa a sair som de tentativa de grito.
Na calça jeans, sua virilha começa a ficar molhada.
Começa a formar uma poça de urina no chão.
Seus lábios começam a ficar roxo.
Jully: NNNNNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO... PARE... PARA COM ISSO...
Do outro lado do quarto, todos levam um novo choque derrubando-os no chão novamente e fazendo ficarem quietos.
No esmalte das unhas de Martha, levantam bolhas.
Fumaça começa a sair de seu corpo.
Martha começa a exalar queimado.
Close rapido
Jully, levanta o rosto em direção a caixa de som.
Jully: NNNNNNNÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOO...
Tela negra
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maio 19, 2009
maio 11, 2009
S01x01 - Pilot
Atenção:
Respeite as pausas conforme pede o roteiro para a visualização da cena e o desenrolar da situação.
Se tiver pressa, não leia. Deixe para uma outra hora.
O autor
1x01 – Pilot
Fade in
Trilha Incidental: John Williams – Epilogue
A câmera focaliza girando sobre o rosto de Robert, deitado no chão.
Robert abriu os olhos lentamente e frisou-o devido à iluminação forte no teto. Momento após, ainda imóvel, conseguiu olhar para o teto e percebeu não estar em seu quarto.
Levantou o corpo lentamente ficando sentado no mesmo lugar. Olhou para os lados e viu mais cinco pessoas alem dele. Todas estavam deitadas e, o que parecia dormindo da mesma forma que ele estava.
Levou seus dedos nos olhos esfregando-os. Coloco sua outra mão no chão. Também estava muito tonto, mesmo sentado.
Olho para seu pé. Eestava sem seus sapatos. Vestia calça social, meias pretas e uma camisa branca.
Estava aberta. Não havia botões na mesma. Embaixo dela, estava com uma regata branca. Um leve barulho o fez virar o pescoço para seu lado direito. Havia um rapaz sem camisa, apenas de calça jeans e também descalço. Havia uma espécie de algema metálica diferente onde abraçava a canela do rapaz.
Robert olhou para o mesmo lugar em seu corpo. Puxou a barra da calça para cima e viu a sua algema. Pensou:
Robert: Mas o que...?
Levantou a cabeça olhando onde poderia estar. Ouviu uma voz feminina.
Voz: Onde estou?
Robert virou o rosto. Uma freira.
Estava sentada no chão olhando para ele. Devia ter se levantado enquanto ele olhava sua própria algema.
Freira: Onde estou? - Olhando em volta. Quem são estas pessoas?
Robert: Não sei. Acordei agora também. – E olha para as outras pessoas deitadas.
Robert olha a face da freira. Não dava para ver mais nada devido à túnica preta e branca que cobria o corpo e a cabeça.
Freira: Também estão dormindo? – Olhando as pessoas.
Robert: Acho que...
Nesse momento, um barulho agudo não muito alto soou, fazendo Robert e a freira levantar a cabeça tentando localizar de onde vinha.
Ambos notaram uma caixa de som branca e pequena embutida na parede. Da mesma saiu uma voz masculina, nem grossa e nem fina, num tom diabólico:
Voz: Bom dia, meus amigos.
(Silêncio)
Robert e a freira olhavam no sentido da caixa. Não disseram nada.
Voz: Melhor acordar seus novos amigos antes que eu o faça.
A freira baixou a cabeça e virou-se para uma mulher deitada. Colocou sua mão no corpo dela e chacoalhou acordando-a.
Robert fez o mesmo com o rapaz sem camisa ao seu lado.
Um pouco mais distante dele, havia um outro rapaz e uma moça deitados lado a lado. Ambos acordaram quando a voz invadiu o quarto. Ambos sentaram-se.
Voz: Bem-vindos.
Todos olharam em direção de onde vinha o som.
(Silêncio)
A mulher que estava ao lado da freira quebrou o silêncio.
Martha: Onde estou? Quem são vocês? – olhando a todos.
Todos a olharam.
Freira: Meu nome é Lauren. Irmã Lauren. – Sorriu - Também não sei onde estamos.
Robert: Sou Robert.
Voz: E eu sou o quarto.
Todos novamente se voltam para a caixa de som.
Tela negra
Martha: Onde estamos? – Perguntou olhando para a caixa de som.
Voz: Vocês todos estão em mim. No quarto. No meu interior. E estão aqui por uma razão. Uma razão comum.
(Silêncio)
Todos se olharam.
Rapaz sem camisa: E qual é?
Voz: A razão? Simples: (pausa) Vocês todos são a doença. O néctar podre. O desrespeito e a desunião. – pausa – Estão aqui para pagar os crimes que cometeram.
Martha: Que crime? Eu não cometi nenhum crim...
Voz: Todos cometeram! – Interrompe - Fazem isso dia a dia e não percebem. Aproveitam-se de situações para o lucro próprio – pausa – Mesmo não tendo lucro algum...
Robert: Quem é você?
Voz: Quem sou eu? – pausa – Eu sou o quarto. A justiça. A voz do fraco – pausa - A voz do otário – pausa – A voz do resto da podridão que vocês deixaram pra trás.
Freira: Isso é uma brincadeira?
Voz, lentamente: Brin.ca.dei.ra? – e gargalha – Não irmã Lauren. – pausa – Não é uma brincadeira. Todos vocês tiram proveito de tudo e agora, estão simplesmente indefesos como cobaias a serem abatidas.
Robert grita: QUEM É VOCÊ? TIRE A GENTE DAQUI...
(Silêncio)
Voz: Tirar vocês de onde estão? – pausa - Por que? – pausa – Eu deveria receber uma medalha por deixar vocês aí. Apodreceriam depois de alguns dias sem água e sem comida. Os que ficassem vivos por ultimo – pausa – sentiriam o fedor que vocês realmente são. Nem alimento pra ratos vocês servem. Todos vocês estão aqui para aprender. Ou melhor – pausa – apenas um de vocês vai aprender. Aprender a ser uma pessoa real e não um lixo da sociedade. Aqui vocês terão que dar o melhor de si para não serem mortos por vocês mesmos.
Martha se desesperando: O que é você? – pausa olhando para as pessoas – Quem são vocês?
Voz: Temos uma manicure, um médico, uma dona de casa, um pequeno empresário, uma freira e um rapaz que ganha vida fazendo programas sexuais para o deleite de homens e mulheres.
Jason baixa a cabeça olhando para o chão.
Voz: Nenhum de vocês vale coisa alguma. - (pausa) - Estão aqui porque um de vocês é um assassino.
Nesse momento, todos se levantam ao mesmo tempo se encostando na parede do quarto. Se entreolham.
Ouve-se outra longa gargalhada vindo da caixa de som. Todos se viram para a mesma.
Voz pausadamente: Não sabem quem realmente é o assassino? – pausa – Eu vou dizer então.
Nesse momento, o volume aumenta fazendo eco.
Voz: TODOS VOCÊS - ÊS - ês...
Todos colocam a mão no ouvido.
(Silêncio)
Voz com o volume normal: Mas esse é o momento de se redimirem e fazerem o que é certo. –pausa - Como disse anteriormente, apenas um terá uma chance de mudar a vida completamente. – pausa – e terá que matar o restante de vocês. –pausa – Mas caso não fizerem isso, eu farei. Como? – pausa – Vejam que todos possuem uma pulseira presa em sua perna direita. A fiz com todo carinho para cada um dessa sala.
Todos começam a olhar a algema.
Voz: Temos um médico aqui não? Senhor Will Farred... – pausa – ...um cirurgião de renome. Bonitão, solteiro, mulherengo... O senhor pode dizer a todos o que pode acontecer quando uma pessoa leva um choque com uma pequena voltagem?
Will olha para todos sem responder.
(Silêncio)
Voz sarcastica: Eu lhe fiz uma pergunta Doutor.
Will, inseguro: Devido à carga de energia, todos os músculos se contraem de forma única, fazendo o indivíduo perder o controle do corpo.
(Silêncio)
Voz: Parabéns Will. Fez o dever de casa. – pausa – Agora conte-nos o que acontece quando uma pessoa leva um choque com uma voltagem muito alta?
Receoso e com medo, Will fala.
Will: Devido à energia que entra no corpo, o mesmo entra em colapso, fazendo o indivíduo perder os sentidos.
Comemorando:
Voz: ISSO!
Falando pausadamente.
Voz: Agora fale o que acontece quando alguém leva um choque contínuo, e com uma voltagem mediana. Diga-nos – (celebrando) – Diga-nos o que acontece...
Will engole seco.
Will: Cada órgão do corpo começa a vibrar sem parar. – pausa – Eles começam a implodir um a um.
Voz: E?
Will: A pessoa fica viva sentindo toda dor que o corpo pode apresentar. Você não perde os sentidos, pois não há parada na descarga de energia.
Voz: CORRETO. E quanto tempo leva?
Will abre a boca, mas desta vez a voz não sai.
(Silêncio)
A Voz diz lentamente:
Voz: Dependendo, pode levar horas. – pausa – Isso é o que essa pulseira na perna de vocês faz.
O médico sussurra em voz baixa:
Will: Meu Deus...
Voz: Deus? – pausa – Deus não mora nesse quarto Will. – pausa - Deus não esta nesse momento pra vocês. – pausa – Aqui, eu sou Deus. A única voz da razão. A voz que impõe a vontade de vocês. –pausa - Sou onipotente nesse quarto e escuto tudo o que vocês possam falar ou fazer...
Assim como todos, Robert olhava a caixa na parede:
Freira: Que tipo de brincadeira é essa?
Robert: Você está blefando!
Voz: Blefando? Então vamos começar. – pausa – Eu escolho primeiro quem vai morrer e... – pausa – primeiro será ...
Todos se olham. O suor brota.
Voz: Nossa querida Irmã Lauren.
Todos a encaram.
Voz: Isso é brincadeira?
Nesse momento, Lauren cai no chão se contorcendo e gritando.
Robert corre até Lauren.
Will grita: NÃO TOQUE NELA!!!
Will corre até Robert e o segura. As mulheres correm para o lado oposto e começam a gritar. O rapaz sem camisa não sai do lugar.
Robert tenta colocar a mão na freira.
Will: NÃO TOQUE NELA! NÃO TOQUE NELA! – Segura o braço de Robert.
Robert olha para a caixa de som e grita:
Robert: PARE! PARE COM ISSO! PARE, POR FAVOR!
O choque automaticamente pára.
As mulheres param de gritar, mas choram sem parar. Uma delas coloca a mão na boca.
Robert se agacha e coloca a mão na freira.
Will se agacha ao lado de Robert e tira a túnica da cabeça da freira ainda consciente com o corpo inteiro dela tremendo.
Robert se levanta e grita em direção da caixa de som:
Robert: O QUE É QUE VOCÊ QUER?
(Silêncio)
Rorbet: DIGA O QUE...
A Voz o corta:
Voz: Parabéns Robert. – pausa - Você pulou a vez de Lauren.
Robert: O que? A vez dela? O que é que você quer seu filho da P...
Voz, lentamente: Ahhh, eu não expliquei... – pausa – Depois que eu matasse Lauren... – pausa – eu ia dizer como que vai funcionar. Mas como você resolveu passar a vez dela... – pausa – explicarei a todos o motivo que VOCÊ tem para morrer. Veremos se todos concordam comigo.
As duas mulheres em pé, o rapaz sem camisa e Will, ainda agachado, olham para Robert.
Voz: Robert Nolan, 45 anos, casou-se uma única vez em sua vida. Sua mulher se separou logo quando descobriu que ele a traia com outras mulheres. Que pena, não é? - pausa – Mas até aí, tudo bem. – pausa – Mas o verdadeiro problema não é a traição, não é verdade Robert?
Robert, olhava no sentido da caixa na parede. Engole seco.
Voz: O maior problema é o que viria após a traição.
Robert arregala os olhos.
Voz: Com tantas propagandas sobre doenças sexuais na mídia, você não se previniu não é Robert? -(pausa) - O mais engraçado foi ter descoberto a doença através do advogado de sua própria esposa – pausa – Ou melhor, EX-esposa.
Robert, que olhava na direção do som, lentamente começa abaixar os olhos e a cabeça.
Voz: Que azar. Perder a esposa por traição, contrair uma doença sem cura e passar para a pessoa que mais o confiava. – pausa – Até aí, ainda tudo bem. O motivo maior que você está aqui é o fato da sua revolta.
A Voz fica mais firme.
Voz: Senhoras e Senhores – pausa – Eis que apresento Sr Robert nolan de 45 anos , um metro e oitenta e sete, separado e portador do H.I.V. – (pausa) – que logo quando ficou sozinho, resolveu transar com muitas – (pausa) – mas muitas mulheres, e o que é pior... – (pausa) - ...sem nenhuma prevenção.
Todos olhavam Robert inclusive Lauren, ainda deitada no chão.
Voz: Já que fui infectado por esse mundo podre, então farei a mesma coisa, não é? – (pausa) - ...às vezes tinha que colocar a camisinha porque nem todas caiam na sua lábia – (pausa) – ...mas o que elas não sabiam, é que você furava as camisinhas. Tem idéia de quantas mulheres foram infectadas por você, Robert? – (pausa) – Tem idéia do monstro que você é? Você sabia que uma das quais você infectou... – (pausa) -... se matou?
Lentamente:
Voz: Isso mesmo Sr Robert Nolan – e o volume aumenta – VO-CÊ-É-UM-AS-SAS-SI-NO!!! - ecoa.
Robert cai de joelhos. Todos no quarto olhavam para ele. Ele, olhava agora direto para o chão. De seus olhos, lágrimas desciam.
(Silêncio)
No volume normal:
Voz: O que você quer fazer Robert? – (pausa) – Você pode querer morrer pelos seus novos amigos... – (pausa) – ou fazer um sacrifício para continuar vivo. - (pausa) Quem quer se vingar desse monstro?
Todos começam a cruzar seus olhares.
Voz: Diga Robert... – pausa – Diga-nos qual será seu próprio veredicto? Vale a pena ficar vivo depois de ter feito a vida de muitas um total inferno? - (pausa) – Imagine que quase todas não conseguirão se casar pelo preconceito de outros. – (pausa) – O mesmo preconceito que você tinha – (pausa) - ... e o mesmo preconceito que todos tem por você.
Robert, olhava distante e fixamente para o chão, respondeu:
A Voz retorna, e lentamente para todos:
Voz: Meus convidados – (pausa) – esse é um momento que vocês podem escolher. – (pausa) – No chão, no sentido dessa caixa de som por onde vocês me ouvem, há um fundo falso. Retirem a tábua e peguem um saco.
(silêncio)
Ninguém se movia. Todos olhavam para o chão e para Robert. Todos estavam em silêncio. Não se moviam.
Voz: Jason... – (pausa) - ...Vá pegar.
O rapaz sem camisa em pé e encostado na parede, olhou para todos e se movendo lentamente, vai até o local. Se agacha e retira a tábua.
Lá, havia um saco. Havia um nó na ponta, fechando-o.
Jason agarra o mesmo pelo nó e o retira do buraco, deixando-o destampado.
Voz: Vá ao centro desta sala e tire tudo de dentro desse saco, Jason.
Jason obedece. Se levanta e dá alguns passos. Novamente se agacha e desamarra o nó.
Ao olhar dentro do saco, Jason paralisa-se.
Todos olhavam com receio, mas curiosos.
Voz, firme: Retire o que há dentro do saco Jason.
Trilha: Linkin Park - Session
Jason enfiou a mão dentro do saco e retira o primeiro objeto: uma faca. Coloca no chão ao seu lado.
Enfiou novamente a mão e desta vez, retirou um revolver. Fez o mesmo.
Na terceira, tirou uma seringa que estava enroscada em um fio de nylon. A agulha estava tampada na ponta com o protetor plástico. Dentro dela, havia um líquido incolor. Também a colocou no chão junto com o fio ao lado dos outros objetos. Soltou o saco e voltou para a parede onde estava encostado.
Robert estava próximo a esses objetos. Olhava fixamente no revolver.
Voz pausadamente: Conheço você Robert.
Robert levanta a cabeça e olha para a caixa de som.
Voz: Sei o suficiente para saber se conseguiria se matar. – Gargalha – Nunca faria isso não é? - (pausa) -Como isso não é possível, então um de seus amigos escolherá o que vai fazer. Vejamos...
(Silêncio)
Voz: Will – (pausa) – você prefere que ele morra ou que faça um sacrifício próprio?
Will estava amortecido e ao mesmo tempo com um ar de apavorado com os olhos voltado às armas e ao mesmo tempo na caixa de som embutida.
Voz: Will? – pausa – Quer uma ajuda para voltar à realidade e responder uma simples pergunta? Posso te dar o mesmo que dei na Irmã Lauren.
Will engole seco e olha para Robert:
Will: Que ele faça um sacrifício.
(Silencio)
Voz: Robert... – (pausa) – Mostre que você é um homem diferente hoje. Mostre que você esta mudado. – (pausa)- Mostre que você está totalmente arrependido da atrocidade que fez no passado.
Robert olhava para as armas.
Voz, falando lentamente: Will – (pausa) – Pegue a faca e corte o dedinho da mão esquerda de Robert.
Will levanta os olhos em direção a caixa de som.
Will: Que? -
Voz: Será o sacrifício dele Will. O primeiro sacrifício desse quarto.
Will olha novamente para Robert.
Voz: Isso mesmo Will. Quero que você corte o dedinho da mão esquerda de Robert.
Will: Por que? – pausa – Por que eu?
Voz (começando a engrossar): Faça isso agora – (pausa) – ou será por sua causa que a nossa freira ficará novamente com os cabelos em pé. – (pausa) – Você não quer que ela se machuque, não é? – sarcasticamente - É pecado...
Lauren para Will: Por favor, não... – começando a chorar novamente.
Martha olha para a caixa: Você não pode fazer isso com a gente... – se desespera – Temos família, filhos e...
Martha cai no chão gritando e tremendo devido ao choque.
Jully grita.
Segundos após, o choque cessa.
Jully vai até Martha e a ajuda se sentar.
Robert de joelhos e vendo a cena, instantaneamente se curva colocando os cotovelos no piso de madeira batendo a mão esquerda no chão deixando somente o dedinho a mostra e fechando os outros para dentro da mão.
Will olhou para Robert. Ou fazia aquilo ou Lauren iria sofrer.
Andou até onde a faca estava e a pegou. Ficou de frente para Robert e se ajoelhou.
Jason, o rapaz sem camisa, não se movia. Lauren estava sentada com lágrimas nos olhos. As outras duas mulheres encontravam-se acuadas em um dos cantos do quarto. Ambas também estavam em lágrimas e com as mãos cobrindo a boca para evitar qualquer ruído devido ao choro.
Will olhando, ora para Robert, ora para seu dedinho esticado: Meu Deus, não sei se consigo... – balançando a cabeça negativamente.
Robert: Faça! – olhando para seu dedinho.
Will estava de frente para Robert, se curva e apóia seu cotovelo no chão.
Robert estava pronto para fazer aquilo. Seus olhos estavam vermelhos. Sua mão estava no chão e apenas o dedinho esticado. Sua testa corria suor.
Will posiciona a faca em cima do dedinho de Robert.
Suor também desciam no rosto de Will.
Will: Eu não vou conseguir...
Robert, levantando a voz:
Robert: Faça Will...
Will gagueja:
Will: E...Eu não tenho coragem...
Robert fala ainda mais alto.
Robert: Você é um médico Will, faça...
Will: É di-diferente...
A Voz interrompe:
Voz: Cinco segundos ou voltará à vez de Lauren.
Robert grita: FAÇA WILL...
Will grita: EU NÃO POSSO!
Voz: Cinco...
Robert: FAÇA LOGO! ACABE COM ISSO!
Lágrimas saem dos olhos de Will, olhando Robert.
Voz: Quatro.
Will, pausadamente: EU NÃO CONSIGO!
Robert olhando para Will: ELE VAI MATAR A FREIRA WILL!
Voz: Três.
Jully grita: CORTA LOGO WILL!
Will estava com a faca em cima do dedo de Robert. Ele a levanta na altura de sua cabeça.
Voz: Dois.
Jason grita: CORTA!!!
Voz tranquilamente: Adeus Imã Lauren.
Robert: WILL, NA HORA QUE TIVER QUE TE MATAR, EU FAREI SEM PENSAR!!!
Voz: Um
A faca desce.
TELA NEGRA
Ouve-se somente um baque de corte e um grito longo de dor.
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Respeite as pausas conforme pede o roteiro para a visualização da cena e o desenrolar da situação.
Se tiver pressa, não leia. Deixe para uma outra hora.
O autor
1x01 – Pilot
Fade in
Trilha Incidental: John Williams – Epilogue
A câmera focaliza girando sobre o rosto de Robert, deitado no chão.
Robert abriu os olhos lentamente e frisou-o devido à iluminação forte no teto. Momento após, ainda imóvel, conseguiu olhar para o teto e percebeu não estar em seu quarto.
Levantou o corpo lentamente ficando sentado no mesmo lugar. Olhou para os lados e viu mais cinco pessoas alem dele. Todas estavam deitadas e, o que parecia dormindo da mesma forma que ele estava.
Levou seus dedos nos olhos esfregando-os. Coloco sua outra mão no chão. Também estava muito tonto, mesmo sentado.
Olho para seu pé. Eestava sem seus sapatos. Vestia calça social, meias pretas e uma camisa branca.
Estava aberta. Não havia botões na mesma. Embaixo dela, estava com uma regata branca. Um leve barulho o fez virar o pescoço para seu lado direito. Havia um rapaz sem camisa, apenas de calça jeans e também descalço. Havia uma espécie de algema metálica diferente onde abraçava a canela do rapaz.
Robert olhou para o mesmo lugar em seu corpo. Puxou a barra da calça para cima e viu a sua algema. Pensou:
Robert: Mas o que...?
Levantou a cabeça olhando onde poderia estar. Ouviu uma voz feminina.
Voz: Onde estou?
Robert virou o rosto. Uma freira.
Estava sentada no chão olhando para ele. Devia ter se levantado enquanto ele olhava sua própria algema.
Freira: Onde estou? - Olhando em volta. Quem são estas pessoas?
Robert: Não sei. Acordei agora também. – E olha para as outras pessoas deitadas.
Robert olha a face da freira. Não dava para ver mais nada devido à túnica preta e branca que cobria o corpo e a cabeça.
Freira: Também estão dormindo? – Olhando as pessoas.
Robert: Acho que...
Nesse momento, um barulho agudo não muito alto soou, fazendo Robert e a freira levantar a cabeça tentando localizar de onde vinha.
Ambos notaram uma caixa de som branca e pequena embutida na parede. Da mesma saiu uma voz masculina, nem grossa e nem fina, num tom diabólico:
Voz: Bom dia, meus amigos.
(Silêncio)
Robert e a freira olhavam no sentido da caixa. Não disseram nada.
Voz: Melhor acordar seus novos amigos antes que eu o faça.
A freira baixou a cabeça e virou-se para uma mulher deitada. Colocou sua mão no corpo dela e chacoalhou acordando-a.
Robert fez o mesmo com o rapaz sem camisa ao seu lado.
Um pouco mais distante dele, havia um outro rapaz e uma moça deitados lado a lado. Ambos acordaram quando a voz invadiu o quarto. Ambos sentaram-se.
Voz: Bem-vindos.
Todos olharam em direção de onde vinha o som.
(Silêncio)
A mulher que estava ao lado da freira quebrou o silêncio.
Martha: Onde estou? Quem são vocês? – olhando a todos.
Todos a olharam.
Freira: Meu nome é Lauren. Irmã Lauren. – Sorriu - Também não sei onde estamos.
Robert: Sou Robert.
Voz: E eu sou o quarto.
Todos novamente se voltam para a caixa de som.
Tela negra
Martha: Onde estamos? – Perguntou olhando para a caixa de som.
Voz: Vocês todos estão em mim. No quarto. No meu interior. E estão aqui por uma razão. Uma razão comum.
(Silêncio)
Todos se olharam.
Rapaz sem camisa: E qual é?
Voz: A razão? Simples: (pausa) Vocês todos são a doença. O néctar podre. O desrespeito e a desunião. – pausa – Estão aqui para pagar os crimes que cometeram.
Martha: Que crime? Eu não cometi nenhum crim...
Voz: Todos cometeram! – Interrompe - Fazem isso dia a dia e não percebem. Aproveitam-se de situações para o lucro próprio – pausa – Mesmo não tendo lucro algum...
Robert: Quem é você?
Voz: Quem sou eu? – pausa – Eu sou o quarto. A justiça. A voz do fraco – pausa - A voz do otário – pausa – A voz do resto da podridão que vocês deixaram pra trás.
Freira: Isso é uma brincadeira?
Voz, lentamente: Brin.ca.dei.ra? – e gargalha – Não irmã Lauren. – pausa – Não é uma brincadeira. Todos vocês tiram proveito de tudo e agora, estão simplesmente indefesos como cobaias a serem abatidas.
Robert grita: QUEM É VOCÊ? TIRE A GENTE DAQUI...
(Silêncio)
Voz: Tirar vocês de onde estão? – pausa - Por que? – pausa – Eu deveria receber uma medalha por deixar vocês aí. Apodreceriam depois de alguns dias sem água e sem comida. Os que ficassem vivos por ultimo – pausa – sentiriam o fedor que vocês realmente são. Nem alimento pra ratos vocês servem. Todos vocês estão aqui para aprender. Ou melhor – pausa – apenas um de vocês vai aprender. Aprender a ser uma pessoa real e não um lixo da sociedade. Aqui vocês terão que dar o melhor de si para não serem mortos por vocês mesmos.
Martha se desesperando: O que é você? – pausa olhando para as pessoas – Quem são vocês?
Voz: Temos uma manicure, um médico, uma dona de casa, um pequeno empresário, uma freira e um rapaz que ganha vida fazendo programas sexuais para o deleite de homens e mulheres.
Jason baixa a cabeça olhando para o chão.
Voz: Nenhum de vocês vale coisa alguma. - (pausa) - Estão aqui porque um de vocês é um assassino.
Nesse momento, todos se levantam ao mesmo tempo se encostando na parede do quarto. Se entreolham.
Ouve-se outra longa gargalhada vindo da caixa de som. Todos se viram para a mesma.
Voz pausadamente: Não sabem quem realmente é o assassino? – pausa – Eu vou dizer então.
Nesse momento, o volume aumenta fazendo eco.
Voz: TODOS VOCÊS - ÊS - ês...
Todos colocam a mão no ouvido.
(Silêncio)
Voz com o volume normal: Mas esse é o momento de se redimirem e fazerem o que é certo. –pausa - Como disse anteriormente, apenas um terá uma chance de mudar a vida completamente. – pausa – e terá que matar o restante de vocês. –pausa – Mas caso não fizerem isso, eu farei. Como? – pausa – Vejam que todos possuem uma pulseira presa em sua perna direita. A fiz com todo carinho para cada um dessa sala.
Todos começam a olhar a algema.
Voz: Temos um médico aqui não? Senhor Will Farred... – pausa – ...um cirurgião de renome. Bonitão, solteiro, mulherengo... O senhor pode dizer a todos o que pode acontecer quando uma pessoa leva um choque com uma pequena voltagem?
Will olha para todos sem responder.
(Silêncio)
Voz sarcastica: Eu lhe fiz uma pergunta Doutor.
Will, inseguro: Devido à carga de energia, todos os músculos se contraem de forma única, fazendo o indivíduo perder o controle do corpo.
(Silêncio)
Voz: Parabéns Will. Fez o dever de casa. – pausa – Agora conte-nos o que acontece quando uma pessoa leva um choque com uma voltagem muito alta?
Receoso e com medo, Will fala.
Will: Devido à energia que entra no corpo, o mesmo entra em colapso, fazendo o indivíduo perder os sentidos.
Comemorando:
Voz: ISSO!
Falando pausadamente.
Voz: Agora fale o que acontece quando alguém leva um choque contínuo, e com uma voltagem mediana. Diga-nos – (celebrando) – Diga-nos o que acontece...
Will engole seco.
Will: Cada órgão do corpo começa a vibrar sem parar. – pausa – Eles começam a implodir um a um.
Voz: E?
Will: A pessoa fica viva sentindo toda dor que o corpo pode apresentar. Você não perde os sentidos, pois não há parada na descarga de energia.
Voz: CORRETO. E quanto tempo leva?
Will abre a boca, mas desta vez a voz não sai.
(Silêncio)
A Voz diz lentamente:
Voz: Dependendo, pode levar horas. – pausa – Isso é o que essa pulseira na perna de vocês faz.
O médico sussurra em voz baixa:
Will: Meu Deus...
Voz: Deus? – pausa – Deus não mora nesse quarto Will. – pausa - Deus não esta nesse momento pra vocês. – pausa – Aqui, eu sou Deus. A única voz da razão. A voz que impõe a vontade de vocês. –pausa - Sou onipotente nesse quarto e escuto tudo o que vocês possam falar ou fazer...
Assim como todos, Robert olhava a caixa na parede:
Freira: Que tipo de brincadeira é essa?
Robert: Você está blefando!
Voz: Blefando? Então vamos começar. – pausa – Eu escolho primeiro quem vai morrer e... – pausa – primeiro será ...
Todos se olham. O suor brota.
Voz: Nossa querida Irmã Lauren.
Todos a encaram.
Voz: Isso é brincadeira?
Nesse momento, Lauren cai no chão se contorcendo e gritando.
Robert corre até Lauren.
Will grita: NÃO TOQUE NELA!!!
Will corre até Robert e o segura. As mulheres correm para o lado oposto e começam a gritar. O rapaz sem camisa não sai do lugar.
Robert tenta colocar a mão na freira.
Will: NÃO TOQUE NELA! NÃO TOQUE NELA! – Segura o braço de Robert.
Robert olha para a caixa de som e grita:
Robert: PARE! PARE COM ISSO! PARE, POR FAVOR!
O choque automaticamente pára.
As mulheres param de gritar, mas choram sem parar. Uma delas coloca a mão na boca.
Robert se agacha e coloca a mão na freira.
Will se agacha ao lado de Robert e tira a túnica da cabeça da freira ainda consciente com o corpo inteiro dela tremendo.
Robert se levanta e grita em direção da caixa de som:
Robert: O QUE É QUE VOCÊ QUER?
(Silêncio)
Rorbet: DIGA O QUE...
A Voz o corta:
Voz: Parabéns Robert. – pausa - Você pulou a vez de Lauren.
Robert: O que? A vez dela? O que é que você quer seu filho da P...
Voz, lentamente: Ahhh, eu não expliquei... – pausa – Depois que eu matasse Lauren... – pausa – eu ia dizer como que vai funcionar. Mas como você resolveu passar a vez dela... – pausa – explicarei a todos o motivo que VOCÊ tem para morrer. Veremos se todos concordam comigo.
As duas mulheres em pé, o rapaz sem camisa e Will, ainda agachado, olham para Robert.
Voz: Robert Nolan, 45 anos, casou-se uma única vez em sua vida. Sua mulher se separou logo quando descobriu que ele a traia com outras mulheres. Que pena, não é? - pausa – Mas até aí, tudo bem. – pausa – Mas o verdadeiro problema não é a traição, não é verdade Robert?
Robert, olhava no sentido da caixa na parede. Engole seco.
Voz: O maior problema é o que viria após a traição.
Robert arregala os olhos.
Voz: Com tantas propagandas sobre doenças sexuais na mídia, você não se previniu não é Robert? -(pausa) - O mais engraçado foi ter descoberto a doença através do advogado de sua própria esposa – pausa – Ou melhor, EX-esposa.
Robert, que olhava na direção do som, lentamente começa abaixar os olhos e a cabeça.
Voz: Que azar. Perder a esposa por traição, contrair uma doença sem cura e passar para a pessoa que mais o confiava. – pausa – Até aí, ainda tudo bem. O motivo maior que você está aqui é o fato da sua revolta.
A Voz fica mais firme.
Voz: Senhoras e Senhores – pausa – Eis que apresento Sr Robert nolan de 45 anos , um metro e oitenta e sete, separado e portador do H.I.V. – (pausa) – que logo quando ficou sozinho, resolveu transar com muitas – (pausa) – mas muitas mulheres, e o que é pior... – (pausa) - ...sem nenhuma prevenção.
Todos olhavam Robert inclusive Lauren, ainda deitada no chão.
Voz: Já que fui infectado por esse mundo podre, então farei a mesma coisa, não é? – (pausa) - ...às vezes tinha que colocar a camisinha porque nem todas caiam na sua lábia – (pausa) – ...mas o que elas não sabiam, é que você furava as camisinhas. Tem idéia de quantas mulheres foram infectadas por você, Robert? – (pausa) – Tem idéia do monstro que você é? Você sabia que uma das quais você infectou... – (pausa) -... se matou?
Lentamente:
Voz: Isso mesmo Sr Robert Nolan – e o volume aumenta – VO-CÊ-É-UM-AS-SAS-SI-NO!!! - ecoa.
Robert cai de joelhos. Todos no quarto olhavam para ele. Ele, olhava agora direto para o chão. De seus olhos, lágrimas desciam.
(Silêncio)
No volume normal:
Voz: O que você quer fazer Robert? – (pausa) – Você pode querer morrer pelos seus novos amigos... – (pausa) – ou fazer um sacrifício para continuar vivo. - (pausa) Quem quer se vingar desse monstro?
Todos começam a cruzar seus olhares.
Voz: Diga Robert... – pausa – Diga-nos qual será seu próprio veredicto? Vale a pena ficar vivo depois de ter feito a vida de muitas um total inferno? - (pausa) – Imagine que quase todas não conseguirão se casar pelo preconceito de outros. – (pausa) – O mesmo preconceito que você tinha – (pausa) - ... e o mesmo preconceito que todos tem por você.
Robert, olhava distante e fixamente para o chão, respondeu:
A Voz retorna, e lentamente para todos:
Voz: Meus convidados – (pausa) – esse é um momento que vocês podem escolher. – (pausa) – No chão, no sentido dessa caixa de som por onde vocês me ouvem, há um fundo falso. Retirem a tábua e peguem um saco.
(silêncio)
Ninguém se movia. Todos olhavam para o chão e para Robert. Todos estavam em silêncio. Não se moviam.
Voz: Jason... – (pausa) - ...Vá pegar.
O rapaz sem camisa em pé e encostado na parede, olhou para todos e se movendo lentamente, vai até o local. Se agacha e retira a tábua.
Lá, havia um saco. Havia um nó na ponta, fechando-o.
Jason agarra o mesmo pelo nó e o retira do buraco, deixando-o destampado.
Voz: Vá ao centro desta sala e tire tudo de dentro desse saco, Jason.
Jason obedece. Se levanta e dá alguns passos. Novamente se agacha e desamarra o nó.
Ao olhar dentro do saco, Jason paralisa-se.
Todos olhavam com receio, mas curiosos.
Voz, firme: Retire o que há dentro do saco Jason.
Trilha: Linkin Park - Session
Jason enfiou a mão dentro do saco e retira o primeiro objeto: uma faca. Coloca no chão ao seu lado.
Enfiou novamente a mão e desta vez, retirou um revolver. Fez o mesmo.
Na terceira, tirou uma seringa que estava enroscada em um fio de nylon. A agulha estava tampada na ponta com o protetor plástico. Dentro dela, havia um líquido incolor. Também a colocou no chão junto com o fio ao lado dos outros objetos. Soltou o saco e voltou para a parede onde estava encostado.
Robert estava próximo a esses objetos. Olhava fixamente no revolver.
Voz pausadamente: Conheço você Robert.
Robert levanta a cabeça e olha para a caixa de som.
Voz: Sei o suficiente para saber se conseguiria se matar. – Gargalha – Nunca faria isso não é? - (pausa) -Como isso não é possível, então um de seus amigos escolherá o que vai fazer. Vejamos...
(Silêncio)
Voz: Will – (pausa) – você prefere que ele morra ou que faça um sacrifício próprio?
Will estava amortecido e ao mesmo tempo com um ar de apavorado com os olhos voltado às armas e ao mesmo tempo na caixa de som embutida.
Voz: Will? – pausa – Quer uma ajuda para voltar à realidade e responder uma simples pergunta? Posso te dar o mesmo que dei na Irmã Lauren.
Will engole seco e olha para Robert:
Will: Que ele faça um sacrifício.
(Silencio)
Voz: Robert... – (pausa) – Mostre que você é um homem diferente hoje. Mostre que você esta mudado. – (pausa)- Mostre que você está totalmente arrependido da atrocidade que fez no passado.
Robert olhava para as armas.
Voz, falando lentamente: Will – (pausa) – Pegue a faca e corte o dedinho da mão esquerda de Robert.
Will levanta os olhos em direção a caixa de som.
Will: Que? -
Voz: Será o sacrifício dele Will. O primeiro sacrifício desse quarto.
Will olha novamente para Robert.
Voz: Isso mesmo Will. Quero que você corte o dedinho da mão esquerda de Robert.
Will: Por que? – pausa – Por que eu?
Voz (começando a engrossar): Faça isso agora – (pausa) – ou será por sua causa que a nossa freira ficará novamente com os cabelos em pé. – (pausa) – Você não quer que ela se machuque, não é? – sarcasticamente - É pecado...
Lauren para Will: Por favor, não... – começando a chorar novamente.
Martha olha para a caixa: Você não pode fazer isso com a gente... – se desespera – Temos família, filhos e...
Martha cai no chão gritando e tremendo devido ao choque.
Jully grita.
Segundos após, o choque cessa.
Jully vai até Martha e a ajuda se sentar.
Robert de joelhos e vendo a cena, instantaneamente se curva colocando os cotovelos no piso de madeira batendo a mão esquerda no chão deixando somente o dedinho a mostra e fechando os outros para dentro da mão.
Will olhou para Robert. Ou fazia aquilo ou Lauren iria sofrer.
Andou até onde a faca estava e a pegou. Ficou de frente para Robert e se ajoelhou.
Jason, o rapaz sem camisa, não se movia. Lauren estava sentada com lágrimas nos olhos. As outras duas mulheres encontravam-se acuadas em um dos cantos do quarto. Ambas também estavam em lágrimas e com as mãos cobrindo a boca para evitar qualquer ruído devido ao choro.
Will olhando, ora para Robert, ora para seu dedinho esticado: Meu Deus, não sei se consigo... – balançando a cabeça negativamente.
Robert: Faça! – olhando para seu dedinho.
Will estava de frente para Robert, se curva e apóia seu cotovelo no chão.
Robert estava pronto para fazer aquilo. Seus olhos estavam vermelhos. Sua mão estava no chão e apenas o dedinho esticado. Sua testa corria suor.
Will posiciona a faca em cima do dedinho de Robert.
Suor também desciam no rosto de Will.
Will: Eu não vou conseguir...
Robert, levantando a voz:
Robert: Faça Will...
Will gagueja:
Will: E...Eu não tenho coragem...
Robert fala ainda mais alto.
Robert: Você é um médico Will, faça...
Will: É di-diferente...
A Voz interrompe:
Voz: Cinco segundos ou voltará à vez de Lauren.
Robert grita: FAÇA WILL...
Will grita: EU NÃO POSSO!
Voz: Cinco...
Robert: FAÇA LOGO! ACABE COM ISSO!
Lágrimas saem dos olhos de Will, olhando Robert.
Voz: Quatro.
Will, pausadamente: EU NÃO CONSIGO!
Robert olhando para Will: ELE VAI MATAR A FREIRA WILL!
Voz: Três.
Jully grita: CORTA LOGO WILL!
Will estava com a faca em cima do dedo de Robert. Ele a levanta na altura de sua cabeça.
Voz: Dois.
Jason grita: CORTA!!!
Voz tranquilamente: Adeus Imã Lauren.
Robert: WILL, NA HORA QUE TIVER QUE TE MATAR, EU FAREI SEM PENSAR!!!
Voz: Um
A faca desce.
TELA NEGRA
Ouve-se somente um baque de corte e um grito longo de dor.
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maio 10, 2009
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